Trump suspende sanções contra a Rússia dias antes de entrarem em vigor
Ordem executiva trava tarifas de até 500% sobre produtos russos e é criticada por Zelensky e por parlamentares dos dois partidos americanos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na sexta-feira (16) uma ordem executiva que suspende um amplo pacote de sanções contra a Rússia. As punições começariam a valer neste domingo (18). A Casa Branca alegou interesse nacional, mas não explicou por quê. A medida foi condenada pela Ucrânia e por parlamentares americanos, e bem recebida pelo Kremlin.
O que foi suspenso
As sanções vinham da chamada Lei Graham, batizada em homenagem ao senador republicano Lindsey Graham, que morreu em julho e era um dos nomes mais duros contra Moscou no Congresso. O próprio Trump havia sancionado a lei em 18 de setembro.
A ordem suspende praticamente tudo o que a lei previa contra a Rússia. Entre os pontos travados estão tarifas de até 500% sobre produtos russos, como petróleo e gás, e tarifas de até 100% sobre os cinco maiores compradores de energia russa. Também ficam suspensas as punições aos cinco países que mais ajudam Moscou a driblar sanções.
As sanções que já existiam antes, impostas por ordens executivas anteriores, continuam valendo. Mas a ordem derruba o trecho da lei que obrigava mantê-las, o que deixa Trump livre para mexer nelas sozinho no futuro. A suspensão vale até que o governo decida que é preciso fazer algo diferente.
O acordo do diesel
A decisão acontece em meio ao esforço do governo americano para baixar o preço dos combustíveis, que subiu com a guerra dos Estados Unidos no Irã. Antes da ordem, Trump fechou um acordo com Vladimir Putin para que a Rússia libere diesel no mercado mundial.
Segundo Trump, os russos vão fornecer de imediato mais de 300 mil toneladas de diesel, mais 500 mil em novembro e 1 milhão de toneladas na sequência.
Reação de Kiev
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, lamentou a decisão em publicação neste sábado (17). Ele disse que a suspensão veio justamente quando a Rússia fazia um dos maiores ataques ao setor de energia ucraniano, e pediu que apoiadores defendam a lei, que, segundo ele, ainda pode ajudar a encerrar a guerra.
Em Washington, parlamentares chamaram a medida de presente para Putin. A decisão aprofunda o desgaste entre Trump e Zelensky e aumenta a preocupação dos aliados europeus com o apoio americano à Ucrânia.


