Itamaraty acusa Milei de tentar interferir na eleição brasileira após presidente argentino insinuar fraude
A cinco dias do segundo turno, Milei sugeriu nas redes que a eleição poderia ser “roubada”; governo brasileiro chamou a manifestação de inaceitável e desequilibrada

O governo brasileiro acusou o presidente da Argentina, Javier Milei, de tentar interferir na eleição presidencial do Brasil. Em nota divulgada pelo Itamaraty nesta terça-feira (20), o Ministério das Relações Exteriores classificou as declarações do argentino como uma nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro.
A reação veio depois de publicações de Milei na rede social X, a cinco dias do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcado para domingo (25).
O que Milei publicou
O presidente argentino compartilhou um trecho da entrevista que Lula deu ao SBT na noite de segunda-feira (19) e escreveu que esperava que o “último truque de campanha suja” não incluísse “roubar a eleição”. Milei também reproduziu um trecho do debate entre os candidatos, colocou em dúvida a segurança das urnas eletrônicas e fez críticas ao Judiciário brasileiro.
Milei é aliado declarado da família Bolsonaro e já havia feito ataques a Lula em outras ocasiões.
A resposta do Brasil
Na nota, o Itamaraty afirmou que o argentino repete acusações contra o sistema eleitoral usadas por grupos que não aceitaram o resultado da eleição de 2022. A diplomacia brasileira também defendeu as urnas, lembrando que sua segurança foi atestada por observadores internacionais que acompanharam o primeiro turno.
“Essa antidemocrática manifestação é inaceitável, desequilibrada, e não condiz com a postura que deve ter o chefe de Estado de um país amigo.”
O texto termina afirmando que a decisão sobre o futuro do país cabe exclusivamente aos brasileiros, que vão se manifestar nas urnas no domingo, sem interferência estrangeira.
Relação já estava rebaixada
O episódio agrava uma crise diplomática que já vinha de meses. Por causa de sucessivos ataques de Milei a Lula, o Brasil está sem embaixador na Argentina desde agosto e determinou a saída do embaixador argentino de Brasília. Hoje, a representação brasileira em Buenos Aires é conduzida por um encarregado de negócios, posto abaixo do de embaixador.
A troca de acusações acontece na reta final de uma disputa apertada: pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21) mostra Flávio com 45% e Lula com 44% no segundo turno, empate técnico.


