França impõe toque de recolher em grandes cidades após fim de semana de violência
Protestos contra o custo de vida terminaram com mais de 2.400 detidos, prefeitura incendiada e ministro do Interior pedindo demissão

A França passou a primeira noite sob toque de recolher em áreas de várias cidades, após os episódios de violência urbana mais graves em anos. Segundo o primeiro-ministro Sébastien Lecornu, a noite de segunda para terça-feira (20) foi tranquila, e ele atribuiu a calma diretamente à restrição.
Como tudo começou
No sábado, 17 de outubro, centenas de milhares de pessoas foram às ruas em diversas cidades francesas contra o aumento do custo de vida e a piora da educação pública. A mobilização foi convocada pela coordenação dos “coletes amarelos”, movimento que já havia parado o país em 2018.
Os atos degeneraram em confrontos, saques e incêndios. A prefeitura de Limoges foi incendiada e destruída. O balanço oficial fala em mais de 2.400 detenções no país, 855 só em Paris, e cerca de 150 policiais feridos.
Onde vale o toque de recolher
Após uma reunião de crise na segunda-feira (19), Lecornu pediu aos prefeitos que aplicassem restrições parciais nos centros urbanos com risco de novos tumultos. Em Paris, a medida atingiu áreas como a Praça da República e Les Halles. Em Lyon, partes do centro. Lille e Nice impuseram toque de recolher para menores de idade. O governo também anunciou reforço policial, julgamentos mais rápidos e ajuda a comerciantes prejudicados.
O presidente Emmanuel Macron descartou, por enquanto, decretar estado de emergência. Ele orientou o governo a usar medidas limitadas no tempo e no espaço, como o toque de recolher e a proibição de aglomerações.
Falhas e críticas
O governo admitiu falhas na preparação da segurança. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, reconheceu falta de antecipação e apresentou a demissão, que Macron recusou. O próprio presidente virou alvo de críticas por ter iniciado uma viagem de três dias ao Oriente Médio em plena crise. Prefeitos de cidades afetadas também questionaram a atuação da polícia.
O que vem pela frente
O alívio pode durar pouco. Os “coletes amarelos” convocaram um “Ato II” para o próximo sábado, 24 de outubro, com novas mobilizações previstas para 31 de outubro e 5 de novembro. Lecornu afirmou que autoridades locais poderão ampliar o toque de recolher onde for necessário.


