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França impõe toque de recolher em grandes cidades após fim de semana de violência

Protestos contra o custo de vida terminaram com mais de 2.400 detidos, prefeitura incendiada e ministro do Interior pedindo demissão

Redação ATO

20 out 2026, 11:37/4 min de leitura

França impõe toque de recolher em grandes cidades após fim de semana de violência
Policiais durante protesto noturno em Paris; governo francês impôs toque de recolher após fim de semana de violência (Foto: Pexels)

A França passou a primeira noite sob toque de recolher em áreas de várias cidades, após os episódios de violência urbana mais graves em anos. Segundo o primeiro-ministro Sébastien Lecornu, a noite de segunda para terça-feira (20) foi tranquila, e ele atribuiu a calma diretamente à restrição.

Como tudo começou

No sábado, 17 de outubro, centenas de milhares de pessoas foram às ruas em diversas cidades francesas contra o aumento do custo de vida e a piora da educação pública. A mobilização foi convocada pela coordenação dos “coletes amarelos”, movimento que já havia parado o país em 2018.

Os atos degeneraram em confrontos, saques e incêndios. A prefeitura de Limoges foi incendiada e destruída. O balanço oficial fala em mais de 2.400 detenções no país, 855 só em Paris, e cerca de 150 policiais feridos.

Onde vale o toque de recolher

Após uma reunião de crise na segunda-feira (19), Lecornu pediu aos prefeitos que aplicassem restrições parciais nos centros urbanos com risco de novos tumultos. Em Paris, a medida atingiu áreas como a Praça da República e Les Halles. Em Lyon, partes do centro. Lille e Nice impuseram toque de recolher para menores de idade. O governo também anunciou reforço policial, julgamentos mais rápidos e ajuda a comerciantes prejudicados.

O presidente Emmanuel Macron descartou, por enquanto, decretar estado de emergência. Ele orientou o governo a usar medidas limitadas no tempo e no espaço, como o toque de recolher e a proibição de aglomerações.

Falhas e críticas

O governo admitiu falhas na preparação da segurança. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, reconheceu falta de antecipação e apresentou a demissão, que Macron recusou. O próprio presidente virou alvo de críticas por ter iniciado uma viagem de três dias ao Oriente Médio em plena crise. Prefeitos de cidades afetadas também questionaram a atuação da polícia.

O que vem pela frente

O alívio pode durar pouco. Os “coletes amarelos” convocaram um “Ato II” para o próximo sábado, 24 de outubro, com novas mobilizações previstas para 31 de outubro e 5 de novembro. Lecornu afirmou que autoridades locais poderão ampliar o toque de recolher onde for necessário.

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