“Não fui eu que perdi, foi o sistema que ganhou”: Flávio diz que vai pedir cassação de Lula e confirma entrega de passaportes
Em vídeo nas redes, senador derrotado no 2º turno ataca prorrogação da votação, acusa Lula de abuso de poder e promete organizar a oposição no Congresso

Um dia depois de perder o segundo turno para Lula, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou nesta segunda-feira (26) um vídeo no Instagram. Nele, contesta o resultado da eleição, anuncia que vai pedir a cassação da chapa vencedora e confirma ter sido intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes.
Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos (64,2 milhões). Flávio teve 48,21% (59,8 milhões). No vídeo, o senador agradece aos “quase 60 milhões de brasileiros” que votaram nele.
A prorrogação da votação
O principal alvo de Flávio é a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que estendeu a votação até as 19h em todo o país. O senador lembra que Zanin foi advogado de Lula e diz que a medida mudou a regra do jogo com a disputa em andamento.
“Imagina se fosse o contrário. Um ministro indicado pelo Bolsonaro tomando uma decisão que mudou a regra do jogo. Qual seria a reação do PT?”
A decisão de Zanin atendeu a um pedido da campanha de Lula, que relatou falta de ônibus em várias cidades. É a primeira vez que o horário de votação é prorrogado em todo o país numa eleição geral. Em 2022, o TSE havia negado um pedido parecido do PT. O Ministério Público Eleitoral se manifestou contra a prorrogação.
A campanha de Flávio também pediu mais tempo de votação naquele domingo, mas apenas em cerca de 17 municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. O TSE afirmou que a mudança de horário não comprometeu a eleição.
Pedido de cassação
Flávio acusa Lula de ter usado “quase R$ 1 trilhão” em dinheiro público para comprar votos e de manter um “complexo industrial de fake news”. Por isso, diz que vai pedir a cassação da chapa. O senador não apresentou no vídeo a origem do valor citado.
“Não foi eu que perdi, foi o sistema que ganhou.”
Passaportes
O senador contou que foi intimado pela PF ao sair da casa do pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. Segundo Flávio, a decisão é do ministro Alexandre de Moraes e se baseou em uma fala do irmão, Eduardo Bolsonaro. Em entrevista nos Estados Unidos na sexta-feira (23), Eduardo defendeu que Flávio deixasse o país caso perdesse a eleição.
Flávio afirma que nunca pensou em sair do Brasil e que vai entregar os documentos. Para ele, a medida é uma tentativa de intimidação. A íntegra da decisão está sob sigilo. O senador é investigado em inquéritos no STF, entre eles um sobre o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Ele nega irregularidades.
Mercado e oposição
No vídeo, Flávio cita a alta do dólar e a queda da Bolsa como sinais do que chama de “projeto de destruição” do PT. Nesta segunda, o Ibovespa chegou a cair cerca de 16%, e o dólar passou de R$ 5,60.
O senador diz ainda que vai reunir deputados e senadores eleitos para fazer da Câmara e do Senado uma “fortaleza” de oposição ao quarto mandato de Lula. O mandato de Flávio no Senado termina em fevereiro de 2027, quando ele perde o foro privilegiado.

