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Campanha de Lula pede ao TSE a cassação da chapa de Flávio por suposto favorecimento da Meta

Ação acusa algoritmos e ferramentas de IA do Facebook, Instagram e WhatsApp de beneficiarem o candidato do PL; Meta nega interferência na eleição

Redação ATO

20 out 2026, 12:26/4 min de leitura

Campanha de Lula pede ao TSE a cassação da chapa de Flávio por suposto favorecimento da Meta
Manifestantes protestam em frente à sede da Meta, em São Paulo, contra suposta interferência das big techs na eleição (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

A campanha do presidente Lula (PT) vai pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. A ação deve ser protocolada nesta terça-feira (20). O argumento é que a candidatura do senador teria sido beneficiada por “manipulação algorítmica” da Meta, dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp.

O que diz a ação

O processo é uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije), instrumento usado para apurar abuso de poder em eleições. Segundo os advogados de Lula, sistemas de recomendação, ferramentas de inteligência artificial e a revisão de anúncios das plataformas da Meta teriam favorecido Flávio e reduzido o alcance de Lula e seus aliados. A ação fala em uso indevido dos meios de comunicação e abuso de poder econômico.

A campanha cita episódios como a recusa da IA da Meta em gerar imagens de Lula com o número 13, enquanto aceitava pedidos sobre Flávio e o número 22. Também menciona um período, entre 9 e 10 de outubro, em que o perfil oficial de Lula no Instagram ficou impedido de impulsionar publicações sem explicação. A ação diz ainda que mensagens internas de funcionários da Meta reconheceriam restrições indevidas a anúncios da campanha petista.

Os números apresentados

Segundo dados reunidos pela campanha, Flávio tem 17,2% menos seguidores que Lula no Instagram, mas recebeu, em média, quase três vezes mais curtidas e comentários entre 1º e 7 de outubro. Nos Reels, a média do senador foi de 15,6 milhões de visualizações, contra 5,9 milhões de Lula.

A ação também aponta uma amplificação considerada “atípica” dos conteúdos do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais cabos eleitorais de Flávio. Os advogados pedem que o TSE obrigue a Meta a explicar o funcionamento de seus algoritmos e a entregar as mensagens internas da empresa.

O que diz a Meta

A Meta afirma que as acusações de interferência no processo eleitoral são falsas e nega ter favorecido qualquer candidato. Segundo a empresa, os problemas de alcance e de anúncios relatados pela campanha tiveram causas diferentes, sem relação com a disputa. Sobre a IA, a Meta disse ter suspendido temporariamente a geração de imagens de candidatos, seguindo as regras eleitorais.

Até a publicação desta matéria, Flávio Bolsonaro e o PL não haviam se manifestado publicamente sobre o pedido de cassação, segundo os veículos que noticiaram o caso.

O que o TSE já decidiu

O caso tramita com o ministro Marco Aurélio Bellizze. Em 15 de outubro, ele proibiu a Meta de limitar de forma desigual o alcance de publicações dos presidenciáveis, e o plenário do TSE manteve a decisão por unanimidade no dia seguinte. Na segunda-feira (19), Bellizze deu 24 horas para a empresa comprovar que está cumprindo a ordem, sob multa diária de R$ 1 milhão.

A cassação de uma chapa é a punição mais grave da Justiça Eleitoral e exige que o tribunal reconheça que o abuso teve gravidade suficiente para afetar a eleição. O pedido chega a menos de duas semanas da votação, com pesquisas apontando disputa apertada entre os dois candidatos.

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