Flávio Bolsonaro na Globo: candidato promete manter fim da escala 6x1 e defende financiamento de filme sobre o pai
Em sabatina ao vivo a nove dias do segundo turno, senador do PL falou de economia, Banco Master, Eduardo Bolsonaro e STF.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, foi sabatinado ao vivo pela TV Globo na noite desta sexta-feira (16), logo após o Jornal Nacional. A entrevista, conduzida pela jornalista Renata Lo Prete nos Estúdios Globo, no Rio, durou cerca de 40 minutos e encerrou a rodada da emissora com os dois candidatos do segundo turno. O presidente Lula (PT) foi entrevistado na quinta-feira (15). A ordem foi definida por sorteio.
Economia: “terrorismo” e corte de ministérios
A primeira pergunta tratou das acusações de que, se eleito, Flávio interromperia a política de valorização do salário mínimo, desvincularia aposentadorias do mínimo e cortaria os pisos de gastos em saúde e educação. O candidato negou e acusou a campanha adversária de fazer “terrorismo” com servidores públicos e estatais. Ele também negou que pretenda privatizar Banco do Brasil, Caixa ou Petrobras.
“O maior ajuste fiscal que o Brasil pode fazer é tirar o Lula.”
Como medidas concretas, o senador citou a redução do número de ministérios e de cargos comissionados, além de mais arrecadação vinda das estatais.
Escala 6x1: “Não vou” reverter
O fim da escala 6x1 foi promulgado pelo Congresso nesta mesma sexta-feira. Questionado sobre sua mudança de posição sobre o tema, Flávio disse que votou conforme o que ouviu dos trabalhadores. Perguntado se tentaria reverter a medida caso eleito, respondeu que não, que a decisão foi do Congresso e que as leis trabalhistas estão garantidas.
No dia 6 de outubro, o senador havia chamado de oportunista a iniciativa de discutir a proposta durante o segundo turno. Na entrevista, ele voltou a defender um modelo de jornada flexível, em que o trabalhador monta a própria carga horária, e disse que as duas ideias não são incompatíveis.
Vorcaro e o filme sobre Jair Bolsonaro
O trecho mais tenso foi sobre o pedido de R$ 134 milhões feito ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Renata Lo Prete questionou a diferença entre esse valor e o orçamento de R$ 75 milhões que aparece em uma planilha da produtora. Flávio não explicou a diferença. Disse que se tratou de uma relação privada, que o contrato não foi cumprido integralmente e que a produtora prestou contas dos recursos.
O candidato comparou o caso à publicidade do Banco Master veiculada pela própria Globo, que segundo ele passou de R$ 100 milhões. A entrevistadora respondeu que comprar espaço publicitário é diferente de financiar um filme. Flávio também citou um áudio atribuído a Vorcaro, pediu que ele seja investigado e direcionou críticas a supostas ligações do banqueiro com pessoas próximas ao governo Lula. Ele não apresentou documentos que sustentem essas acusações.
Eduardo fora do Itamaraty e críticas ao STF
Flávio afirmou que o irmão, o ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro, condenado pelo STF por coação, não será ministro das Relações Exteriores em um eventual governo seu. Mesmo assim, chamou Eduardo de perseguido político e criticou o ministro Alexandre de Moraes. O senador também defendeu uma reforma do Judiciário e disse que o Supremo “não é Alexandre de Moraes”.
Almoço na Globo marcou o dia
Horas antes da entrevista, Flávio almoçou na sede da Globo com o presidente do grupo, João Roberto Marinho, e com o vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet. Em nota, a emissora classificou o encontro como visita institucional, sem participação do jornalismo. Disse ainda que Lula seria recebido da mesma forma se tivesse pedido. Em ato de campanha em Ipatinga (MG), Lula reagiu e afirmou que, a partir de hoje, a Globo está “sob suspeição” da sua candidatura.
O segundo turno será em 25 de outubro.


