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Fim da escala 6x1: quem vai pagar a conta? Especialistas divergem sobre efeito nos preços e no emprego

Estudos da indústria e do comércio preveem alta de preços e perda de vagas; Ipea calcula impacto bem menor. Entenda o debate

Redação ATO

16 out 2026, 17:30/5 min de leitura

Fim da escala 6x1: quem vai pagar a conta? Especialistas divergem sobre efeito nos preços e no emprego
Senado aprovou o fim da escala 6x1 por 75 votos a 1 na quarta-feira (14) (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

O fim da escala 6x1 é oficial. Depois da aprovação no Senado por 75 votos a 1, na quarta-feira (14), o Congresso promulgou nesta sexta-feira (16) a emenda que garante duas folgas semanais e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas, sem corte de salário. A mudança é gradual: a jornada cai para 42 horas em 60 dias e chega a 40 horas um ano depois.

Para o trabalhador, significa um dia a mais de descanso por semana. Para as empresas, um custo maior com cada funcionário. E é aí que começa a principal discussão em torno da medida: quem vai pagar essa conta?

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O alerta: os ajustes podem cair sobre o trabalhador

Um dos críticos mais conhecidos da medida é o sociólogo José Pastore, professor aposentado da USP e um dos maiores especialistas em relações do trabalho do país. Para ele, se o custo de cada funcionário sobe, a empresa precisa compensar de algum jeito, e há três caminhos principais: trocar funcionários mais antigos por outros com salários menores, investir em máquinas no lugar de pessoas ou repassar o custo para o preço dos produtos.

“Todos esses ajustes vão recair nas costas dos trabalhadores, não dos parlamentares.”
José Pastore, sociólogo

Segundo Pastore, qualquer um desses caminhos pode trazer mais rotatividade, desemprego e alta no custo de vida. “Se o preço no supermercado sobe, o poder de compra dele cai”, afirmou em entrevista à CNN. Se os preços subirem, o efeito tende a pesar mais para quem ganha menos, porque essas famílias gastam quase toda a renda com itens básicos, como comida e transporte.

O que dizem os estudos que preveem impacto forte

Entidades empresariais fizeram projeções na mesma linha. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) estima que alguns segmentos podem repassar até 13% aos preços. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) prevê queda de 0,7% no PIB, o equivalente a cerca de R$ 76 bilhões. E o economista Daniel Duque, do Centro de Liderança Pública e pesquisador da FGV, calcula que cerca de 638 mil empregos formais poderiam deixar de existir.

O outro lado: impacto menor que o previsto

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão do governo federal, chegou a conclusões bem diferentes. Pelos cálculos do instituto, o custo do trabalho sobe em média 7,8%, mas, considerando todos os gastos das empresas, o impacto nos preços seria de no máximo 1%, mesmo que todo o custo fosse repassado ao consumidor. O Ipea também questionou a metodologia da CNC, que, segundo o instituto, não explica de forma transparente como chegou aos seus números.

O instituto lembra ainda que aumentos reais do salário mínimo no passado, como os de 2012 e 2024, não reduziram empregos, e que a última redução de jornada no país, de 48 para 44 horas em 1988, também não teve efeito negativo no emprego, segundo estudo da PUC-Rio e da USP. O governo defende que um trabalhador mais descansado é também mais produtivo.

O que vem agora

A primeira etapa, com as duas folgas semanais e a jornada de 42 horas, começa a valer em meados de dezembro. Até lá, empresas de setores que dependem muito de mão de obra, como supermercados, restaurantes, hotéis, salões de beleza e segurança privada, terão de reorganizar escalas. Só depois disso será possível saber qual das previsões estava mais perto da realidade.

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