Ato na Paulista e primeiro debate na TV marcam domingo de tensão a uma semana do 2º turno
Flávio Bolsonaro reuniu apoiadores em São Paulo pela manhã e, à noite, enfrentou Lula na Band num confronto de acusações mútuas

A uma semana do segundo turno, marcado para 25 de outubro, o domingo (18) concentrou dois momentos decisivos da disputa presidencial. Pela manhã, o senador Flávio Bolsonaro (PL) reuniu apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo. À noite, ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontraram pela primeira vez frente a frente num debate de TV, promovido pela Band.
Flávio chega à reta final como primeiro colocado no primeiro turno, com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula. A pesquisa Datafolha mais recente aponta 51% a 49% para o senador nos votos válidos, um cenário apertado.
O ato na Paulista
A manifestação foi convocada por Flávio, pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), e contou com a presença do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O evento aconteceu uma semana depois de um ato pró-Lula no mesmo local.
No discurso, Flávio repetiu que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília, estará na posse caso ele vença, sugerindo que o próprio Jair passaria a faixa ao filho. O candidato também disse que pretende indicar ao STF quatro ministros contrários ao aborto e às drogas.
Entre bandeiras e cartazes, um grupo de apoiadores levou uma réplica inflável de míssil com a frase “Trump nuke Brazil”, em referência ao presidente americano Donald Trump. No mesmo dia, atos em apoio a Lula reuniram milhares de pessoas no Rio de Janeiro e em Brasília.

O debate na Band
O confronto foi tenso desde o primeiro bloco. Flávio chegou a escrever “corrupto” na palma da mão, numa referência ao PT, e circulou pelo palco. Lula reclamou com os mediadores, que lembraram que a movimentação era permitida, desde que sem atrapalhar quem estava com a palavra.
A segurança pública foi o tema mais puxado por Flávio. Ele prometeu enquadrar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas, ampliar o reconhecimento facial e construir mais de meio milhão de vagas em presídios.
“Quem vai andar com medo na rua são eles.”
Lula, por sua vez, insistiu na condução da pandemia pelo governo Jair Bolsonaro, citando a demora na compra de vacinas. Flávio admitiu que a saúde não foi a área de melhor resultado da gestão do pai, mas defendeu as decisões tomadas. O presidente também perguntou se o adversário pretende adotar o modelo econômico de Javier Milei e se planeja privatizar o SUS.
Os escândalos de cada lado ocuparam boa parte do tempo. Flávio cobrou explicações sobre a investigação envolvendo Lulinha e sobre uma reunião de Lula com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Lula respondeu que a prisão de Vorcaro ocorreu em seu governo e cobrou Flávio sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, desafiando-o a abrir os sigilos bancário e telefônico.
O que a checagem encontrou
A agência Aos Fatos verificou as falas e encontrou imprecisões dos dois lados. A afirmação de Flávio de que 73% dos presos votaram em Lula foi classificada como distorcida. Já Lula errou o valor de uma casa atribuída a Flávio: citou R$ 10 milhões, mas o valor correto é de R$ 6 milhões. Os números de Lula sobre armas e munições liberadas no governo anterior foram confirmados.
O último debate antes da votação está marcado para sexta-feira (23), na TV Globo.


