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Seis em cada dez conteúdos de IA na campanha eram deepfakes, aponta levantamento

Projeto da Lupa com a Unicamp encontrou quase um conteúdo eleitoral feito com IA por hora; a maioria não avisava o eleitor

Redação ATO

16 out 2026, 16:30/4 min de leitura

Seis em cada dez conteúdos de IA na campanha eram deepfakes, aponta levantamento
Imagem falsa do papa Francisco de casaco branco, criada com IA, viralizou em 2023 e virou símbolo dos deepfakes (Imagem: Wikimedia Commons)

A inteligência artificial virou parte do dia a dia da campanha eleitoral, e nem sempre de forma transparente. Um levantamento do projeto VigIA, da agência de checagem Lupa em parceria com o laboratório de IA da Unicamp, identificou 920 conteúdos políticos criados com IA entre 16 de agosto e 28 de setembro, período da campanha do primeiro turno. Desse total, 554, ou 60%, eram deepfakes: vídeos ou imagens manipulados que simulam falas e atitudes de pessoas reais.

O dado que mais chama atenção é a falta de transparência. A lei permite o uso de IA na propaganda eleitoral, desde que o conteúdo traga um aviso claro. Mas só 371 dos 920 conteúdos tinham essa identificação. Os outros 549 estavam irregulares, e 75 deles foram publicados por perfis de partidos ou candidatos.

Quem publica

A maior parte do material não sai das campanhas oficiais. Usuários comuns responderam por 47% dos conteúdos, perfis não identificados por 27% e contas oficiais de candidatos por 24,5%. No caso dos deepfakes, 525 vieram de cidadãos ou perfis anônimos, e 29 de perfis ligados a partidos ou candidatos. Para os pesquisadores, isso dificulta a fiscalização.

Entre os tipos mais comuns estão vídeos falsos de jornalistas espalhando informações inventadas e montagens de celebridades que supostamente declaram apoio a um candidato.

Os alvos na disputa presidencial

O presidente Lula (PT) apareceu em 379 conteúdos feitos com IA: 39% eram de humor ou sátira e 34% atacavam sua imagem. Flávio Bolsonaro (PL) apareceu em 190, dos quais 40% buscavam favorecer a candidatura e 28% eram humor ou sátira. No geral, promover candidatos foi o objetivo mais frequente, com 45% dos casos.

“Quando encontramos quase um conteúdo com IA por hora e vemos que a maioria não sinaliza o uso da tecnologia, fica claro que a IA já faz parte da comunicação política cotidiana, e não só de episódios isolados.”
Cristina Tardáguila, fundadora da Lupa

O que diz a lei

As regras do Tribunal Superior Eleitoral proíbem deepfakes na propaganda quando podem enganar o eleitor, e a punição pode chegar à cassação da candidatura ou do mandato. O volume de casos na Justiça também cresceu: segundo levantamento do Núcleo com a Agência Pública, os processos sobre desinformação e propaganda digital irregular passaram de cerca de 3.400 em 2022 para 9.571 neste ano, uma alta de 181%.

Como desconfiar de um vídeo

Alguns sinais ajudam a identificar uma montagem: boca fora de sincronia com a fala, piscadas estranhas ou ausentes, voz robótica ou sem respiração, bordas borradas no rosto e iluminação que não combina com o ambiente. Também vale desconfiar de vídeos com declarações chocantes que não aparecem em nenhum veículo de imprensa. Antes de compartilhar, procure a informação em sites de notícias ou agências de checagem.

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