Lula x Flávio: o que cada candidato propõe para a educação
Planos de governo apostam em caminhos diferentes para alfabetização, ensino integral, escolas e universidades

Os eleitores voltam às urnas no dia 25 de outubro para escolher o próximo presidente, e a educação é uma das áreas em que os planos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) mais se diferenciam. Enquanto Lula aposta na continuidade e expansão de programas do atual governo, Flávio propõe mudanças na forma de financiar e organizar o ensino.
Alfabetização e creches
Lula promete que 80% das crianças estejam alfabetizadas na idade certa até 2030, ante os 66% registrados em 2025, e quer concluir a construção de 3.562 creches e pré-escolas em 2.360 municípios pelo Novo PAC.
Flávio quer priorizar o método fônico na alfabetização, que ensina a ler a partir da relação entre letras e sons. Para as creches, propõe ampliar o atendimento em tempo integral e, onde faltar vaga pública, oferecer às famílias um “voucher-creche” para instituições privadas credenciadas. O plano não detalha de onde viria o dinheiro.
Escolas e ensino integral
O petista quer expandir o ensino em tempo integral, com pelo menos sete horas por dia, para mais de 25,8% das matrículas da educação básica, e criar uma estratégia nacional permanente de recuperação da aprendizagem, com foco nos anos finais do fundamental e no ensino médio. Também promete internet de qualidade em todas as escolas; hoje, 75% têm conexão adequada.
O candidato do PL defende “uma escola que ensina, e não que doutrina”, nas palavras do plano, e propõe ampliar as escolas cívico-militares, modelo adotado no governo de Jair Bolsonaro. Outra proposta é vincular os repasses federais a estados e municípios ao cumprimento de metas de aprendizagem. Ele também prevê escolas abertas nas férias, com esporte e cultura, e o Programa Acolher, que pagaria alunos de bom desempenho para dar reforço aos colegas.
Professores e ensino técnico
Lula promete manter a política de reajuste do piso salarial dos professores, ampliar bolsas para quem faz licenciatura e criar 111 novos institutos federais, com prioridade para o interior e as periferias. O Pé-de-Meia, que já atendeu 7,3 milhões de estudantes do ensino médio, seria mantido, e o presidente também já falou em uma versão para universitários, que não consta no plano.
Flávio propõe formação continuada de professores baseada em evidências científicas, sem dar detalhes, e quer expandir o ensino técnico em parceria com a indústria, com empresas financiando cursos por meio de bolsas.
Universidades e pesquisa
No ensino superior, Lula quer concluir novas universidades, como uma unidade do ITA no Ceará e a Universidade Indígena, e ampliar a pós-graduação em regiões com menos oferta.
Flávio propõe transferir a gestão do ensino superior do Ministério da Educação para o Ministério da Ciência e Tecnologia e criar um financiamento estudantil em que o pagamento depende da renda futura do aluno. Na pesquisa, quer direcionar recursos do CNPq e da Capes para projetos com impacto produtivo e voltados ao mercado.