ATO News
Planeta

Japão lança sonda para trazer à Terra o primeiro pedaço de uma lua de Marte

Missão MMX vai pousar em Fobos, coletar pelo menos 10 gramas de solo e voltar em 2031, algo que nenhum país conseguiu até hoje

Redação ATO

20 out 2026, 11:40/3 min de leitura

Japão lança sonda para trazer à Terra o primeiro pedaço de uma lua de Marte
Marte visto do espaço; a sonda japonesa MMX deve chegar ao planeta em cerca de um ano (Imagem: Pexels)

O Japão deu a largada em uma das missões espaciais mais ambiciosas da década. A sonda MMX (sigla em inglês para Exploração das Luas de Marte) decolou às 16h41 de segunda-feira (19), no horário de Brasília, quando já era madrugada de terça (20) no Japão. A sonda partiu a bordo de um foguete H3 do Centro Espacial de Tanegashima, no sul do país.

O objetivo é inédito: pousar em Fobos, a maior das duas luas de Marte, recolher material da superfície e trazê-lo de volta à Terra. Nenhuma missão jamais trouxe amostras do sistema marciano.

O caminho até Fobos

Cerca de uma hora após a decolagem, o estágio superior do foguete fez a manobra que colocou a sonda na rota de Marte, a quase 39 mil km/h. A partir daí, a MMX segue por conta própria. A viagem até o planeta vermelho deve levar cerca de um ano.

Ao chegar, a sonda vai orbitar perto de Fobos e mapear sua superfície antes de escolher onde pousar. A meta mínima da agência espacial japonesa, a JAXA, é coletar 10 gramas de solo. A missão também levará um pequeno robô de 25 kg, desenvolvido em parceria por França, Alemanha e Japão, e fará observações da outra lua, Deimos. A volta à Terra está prevista para 2031.

Por que isso importa

Ninguém sabe ao certo como Fobos e Deimos surgiram. Uma hipótese diz que são asteroides capturados pela gravidade de Marte. Outra diz que nasceram de destroços lançados ao espaço por um impacto gigante no planeta. Analisar o material em laboratório pode resolver esse enigma e ajudar a entender a história de Marte.

A missão também serve de ensaio para um objetivo maior: trazer rochas diretamente da superfície marciana. Isso ainda esbarra em desafios técnicos, como a gravidade bem mais forte do planeta.

O Japão já tem experiência no assunto. As sondas Hayabusa e Hayabusa2 trouxeram amostras de asteroides, e a MMX é a aposta do país para repetir o feito em um alvo ainda mais distante.

Leia também