Anvisa manda apreender lotes de remédio contra câncer por suspeita de falsificação
Dois lotes do imunoterápico Keytruda tinham características diferentes do original; venda, distribuição e uso estão proibidos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão de dois lotes do Keytruda (pembrolizumabe), um dos principais medicamentos de imunoterapia contra o câncer no mundo. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (19), e a suspeita é de falsificação.
Quais lotes foram atingidos
A medida vale para os lotes Z005197 e Z012354, na apresentação de 100 mg/4 mL. Além da apreensão, a resolução proíbe a comercialização, a distribuição e o uso dessas unidades em todo o país.
Segundo a Anvisa, quem identificou o problema foi a própria Merck Sharp & Dohme (MSD), responsável pelo registro do remédio no Brasil. A empresa encontrou no mercado unidades desses lotes com características diferentes das do produto original.
Por que o caso é grave
O Keytruda é usado no tratamento de vários tipos de câncer, como melanoma, câncer de pulmão e linfoma de Hodgkin. Ele age estimulando o sistema imunológico a reconhecer e atacar as células tumorais. É também um medicamento caro, o que o torna alvo frequente de falsificadores.
Para o paciente, um frasco falso pode significar receber uma substância sem efeito ou até contaminada, interrompendo um tratamento em que o tempo faz diferença.
Não é a primeira vez. Ao longo de 2025 e do primeiro semestre de 2026, a Anvisa já havia emitido alertas sobre outras falsificações do Keytruda no Brasil. Na mesma edição do Diário Oficial, a agência também mandou apreender um lote falsificado do Dysport, toxina botulínica usada como neuromodulador.
O que fazer
Quem faz tratamento com Keytruda pode confirmar o número do lote com o hospital, a clínica ou a farmácia responsável pela aplicação. Se o lote for um dos citados, a orientação é não usar e falar com o médico antes de qualquer decisão sobre o tratamento. Suspeitas de medicamentos irregulares podem ser comunicadas à Anvisa pelos canais oficiais da agência.
